out 30 2009

Google Wave. O que é e como funciona?

Google Wave

O Google Wave, mais novo produto de colaboração e comunicação oferecido pelo gigante das buscas, tem sido foco de muita curiosidade e trocas de palpites sobre o que é, como funciona e para que serve de fato. Como já estou usando o Wave há alguns dias, vou tentar clarear os conceitos e possibilidades desse serviço que promete revolucionar a maneira como interagimos e como aplicamos o computador como feramenta para realizar diversas tarefas.

A base da aplicação é o objeto chamado Wave. Tudo que se cria e compartilha no Google Wave é chamado de Wave. O comportamento da ferramenta depende da maneira como os usuários a utilizam, pois um wave pode ser “encarado” por quem o cria de diversas maneiras. Tomemos uma conversa entre 2 pessoas, por exemplo. Se um dos dois envolvidos estiver offline, o comportamento do Google Wave se assemelha ao e-mail. João envia um wave para Maria pela manhã. À tarde, Maria acessa o sistema, vê o wave que João enviou e manda uma resposta. Mas se os dois estão online ao mesmo tempo, então aquele wave se comporta como uma conversa num instant messenger (IM).

Só que um número qualquer de pessoas pode participar do mesmo wave. Assim, no exemplo anterior, se Maria convida Joana, Paulo e Andréa para a conversa, outros comportamentos podem ser observados. Para os que estão offline, parece um grupo de discussão ou fórum. Para os que estão online, parece uma sala de chat!!! Uma coisa que impressiona é que os participantes online vêem na hora o que está sendo modificado naquele wave, caractere por caractere. Assim, é mais dinâmico que IM, porque numa conversa instantânea você vê apenas o “Maria está digitando…” e a mensagem só aparecerá quando Maria terminar de digitar e teclar “Enter”. No Google Wave não, é instantâneo  mesmo. É uma evolução do instant messaging. Todos podem digitar ao mesmo tempo e todos vêem o que os outros estão digitando, sem espera.

Num wave é possível anexar fotos, vídeos, mapas do Google Maps, documentos etc. E essas mídias podem ser enviadas por upload ou coletadas numa busca (ao Google, claro). Os resultados da busca aparecem numa janelinha e podem ser arrastados para dentro do wave. Mas, quando se faz o upload de um conjunto de fotos, por exemplo, todos os participantes que estiverem online vêem os arquivos sendo carregados, mesmo parcialmente, durante o upload. E todos podem alterar os títulos das fotos, mesmo antes do upload ter terminado e todos ao mesmo tempo. É impressionante. Fazer o álbum de fotos de uma viagem em grupo ficou muito mais fácil.

Outra situação de uso é a criação colaborativa de um documento, por exemplo, a ata de uma reunião. Pense em 8 pessoas numa reunião, cada um com seu notebook, digitando,  no mesmo wave, notas a respeito dos assuntos tratados. Cada um pode acrescentar seu próprio conteúdo e vê o que os outros estão digitando. NA HORA. Inclusive, ao lado do que cada um escreve, aparece um pequeno label onde está escrito o nome do participante que está digitando aquele trecho. E esse label tem uma cor diferente para cada participante.

Quando o documento é criado colaborativamente por vários usuários, mas em sessões e horários diferentes, cada participante pode usar um recurso chamado de Playback para ver todas as alterações executadas no wave ao longo do tempo. O software marca em amarelo as alterações em cada passo do playback. Isso é um comportamento similar a um controle de versão do documento e serve também para quando um participante passa a fazer parte do wave quando ele já está em andamento. Numa conversa em grupo, o “atrasado” pode saber como o diálogo evoluiu até aquele ponto, percebendo não só quem disse o que, mas quando.

Esse recurso é importante porque num diálogo através do wave, um participante pode responder a mensagem em qualquer ponto do texto. Imagine o seguinte cenário: o stagiário redige um texto e manda o contéudo para o chefe, solicitando aprovação. Ele cola o conteúdo no corpo do wave ao invés de anexar o documento. O chefe então modifica o texto, escrevendo sugestões nos lugares em que acha que o documento deve ser modificado. O estagiário corrige tudo, sobrescrevendo as sugestões do chefe e pede a ele que reavalie. Surge então uma dúvida que a equipe de marketing deve responder. O chefe inclui a analista de mercado no wave e faz os questionamentos. A analista de mercado usa o recurso de Playback para saber como o documento chegou até aquele conteúdo e se atualizar sobre a discussão. Verá então a redação original do estagiário, as sugestões do chefe, as correções que estagiário fez sobre as sugestões e, por fim, as perguntas enviadas pelo chefe.

O usos são infinitos. O Google Wave tem uma API aberta, de forma que quem quiser pode desenvolver suas próprias extensões. Já tem uma, por exemplo, em que se podem criar formulários num wave e aquilo se torna uma pesquisa (survey). os participantes respondem as perguntas e um gráfico é exibido no final do wave, já fazendo as tabulações. Existe uma outra que integra com Orkut, onde os recados deixados no Orkut aparecem no Wave do destinatário e pode-se criar um depoimento a partir do Wave e o usuário aprova no Orkut. Há outras que integram com o Facebook, Twitter, dicionários para correção ortográfica, tradução online do conteúdo dos waves, suporte a idiomas com escrita da esquerda para a direita, enfim, há muito a ser explorado.

O único problema que percebi é que eu ainda não conheço muitas pessoas que usem o Wave. Como o cadastramento só é feito através de convites enviados por quem já está usando o produto (nos moldes do lançamento do GMail), ainda há pouca gente usando, principalmente no Brasil. Mesmo quem já está lá, usa pouco. As pessoas ainda não sabem como nem para que usar, como reorganizar seus hábitos na internet para tirar melhor proveito da ferramenta e ainda não vislumbraram nem 1% de todas as possibilidades que se abrem. Mas acredito que o uso será a melhor maneira de estimular a criatividade das pessoas e o surgimento de novas extensões que fomentem o uso dessa impressionante aplicação.

Em breve postarei um conteúdo um pouco mais técnico, falando sobre a tecnologia empregada na criação do Wave, o protocolo de comunicação, as APIs, etc. Até a próxima.

3 Responses to “Google Wave. O que é e como funciona?”

  1. Leandro disse:

    Realmente mt interessante, Marcelo!
    Se ainda tiver algum convite ae, estou à procura de um :)

  2. Willian disse:

    Esse lance de poder ver os caracteres sendo digitados um a um, ‘ao vivo’, me lembrou o bom e velho ICQ… hehehehe

  3. Christian disse:

    Grande Marcelo, parabéns pelo texto! Muito bom mesmo, como indicou Willian, que me passou o link. Só falta agora conseguir um convite pra começar a testar o bicho!

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